No outro dia queimei-me!

 

Estava a falar com o meu marido enquanto abria a porta do forno para tirar a comida que estava a terminar de cozinhar, quando agarro a pega da frigideira diretamente com a mão. Lembro-me que estava a olhar para ele, demorei uns microssegundos até largar a frigideira, algo que só fiz porque senti dor!

Quando cozinho no fogão/placa é normal agarrar esta frigideira diretamente, razão pela qual o meu cérebro deve ter achado que seria uma experiência semelhante à de tantos outros dias e não me alertou!

Felizmente o nosso corpo está equipado com vários alertas … a dor é isso mesmo! Se não tivesse sentido dor tinha continuado a agarrar algo que esteve a elevadas temperaturas, provavelmente até ficar sem pele na mão!

 

A Dor é inevitável e existe para nos proteger!

 

Para tomarmos consciência que algo está a colocar em risco a nossa integridade física/emocional ou psicológica. A Dor tem como objetivo manter a nossa sobrevivência!

Com o tempo esquecemos a razão da sua existência e fazemos tudo para nos afastar dela. Mas mais intenso do que a dor é o sofrimento, isto é, a resistência que criamos em sentir a dor.

 

É simples:

Dor + resistência à dor = Sofrimento

 

Se me tivesse queimado desta forma, há uns tempos atrás, para além da dor, teria ficado aflita e criado um alvoroço à minha volta, levando a um desgaste de energia geral… teria sofrido.

 

O que descobri com o MINDFULNESS

 

Um dos tesouros que descobri ao longo das minhas práticas de mindfulness é que posso permitir-me pensar/sentir a dor! Não mudo nada, aceito o que está a acontecer (não por estar resignada, mas porque é a realidade daquele momento, é algo inevitável). Investigo com intenção, sem julgamento, a parte do corpo em que as sensações são mais fortes e utilizo a respiração: inspiro para “respirar para lá” e “saio de lá” quando expiro.

Repito para mim mesma “está tudo bem”!

 

Com o tempo percebi que já não tenho medo, de ter medo da dor! Pode soar estranho, mas é mesmo simples! A dor torna-se menos assustadora e com isso, automaticamente desvanece o sofrimento.

 

Bem, na verdade quando estou em piloto automático ainda utilizo este padrão de resposta de resistir à dor e consequentemente de sofrimento. É nos momentos em que estou verdadeiramente presente – mindful – que me permito estar com o que se está a passar naquele momento, sem julgamentos, que algo mágico acontece!

 

A serenidade que daí advém permite-me ganhar tempo e espaço – maior clareza – para encontrar a melhor resposta (ex.: colocar imediatamente a mão debaixo da torneira com água a correr; desinfetar uma ferida, ou até ir ao hospital, se for algo grave).

 

A Dor é inevitável, o Sofrimento é Opcional – Isto para mim passou a fazer uma grande diferença!

 

Ajudar os nossos filhos a aceitar a dor

 

Enquanto mãe, permitiu-me lidar de forma diferente com os acidentes dos meus filhos. Apoiá-los mais tranquilamente e ajudá-los a aceitar que estão a sentir dor, sem distrações, sem julgamentos, proporcionando o apoio que precisam no momento (ex.. um abraço, colo, beijinho) para os ajudar a estar com a dor.

Já lhes falei sobre o seu papel de nos manter em segurança. Da importância de a escutarmos, já que nos está a transmitir que algo se passa connosco (corpo, mente), a que precisamos de dar atenção.

– “Está tudo bem… a dor é como uma nuvem: chega, fica um pouquinho e depois passa. Onde está a doer? Vamos respirar para ______?” (resposta que a criança deu, ex: joelho)” Inspirar lenta e profundamente para o ajudar a guiar-se, ou dar o exemplo de “cheirar a flor”,  e Expirar “apagar a vela”.

E tudo bem se não o fizerem, pois a âncora da “respiração” ajuda-me a estar mais presente para os meus filhos, com mais compaixão e isso faz toda a diferença na nossa relação!!!

 

A dor faz parte da nossa vida e vai fazer parte da vida dos nossos filhos, ajudá-los a aceitá-la é prepará-los para uma vida com menos sofrimento!

 

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