Vivemos numa sociedade com problemas de intimidade.

 

Resultado de uma longa e penosa história, em que a sexualidade foi (para alguns ainda é) considerada pecado. Ainda pairam sobre ela tabus, vergonha, um lado obscuro que a mantém nas penumbras dos prazeres lícitos.

 

Mas, como pode o sexo ser algo vergonhoso se todos nós vimos dele?

 

O desalinhamento com esta noção sombria da sexualidade aumenta, sempre que penso que é através dela que geramos os nossos filhos! Os nossos filhos, os seres mais extraordinários, perfeitos com as suas imperfeições, as pessoas mais importantes das nossas vidas que amamos incondicionalmente!

Viemos ao mundo para amar, para viver como se estivéssemos eternamente apaixonados e em harmonia com todos os Seres, com a Natureza e com o Universo!

 

Admitamos, somos uma sociedade sedenta de amor e conexão!

 

Somos dotados de um corpo com, pelo menos, 5 sentidos, 5 formas de poder sentir, saborear e desfrutar, em intimidade profunda, uma das energias mais naturais, poderosas e saudáveis – a orgásmica!

Ainda assim, vivem-se vidas cinzentas, com pouco ou nenhum prazer.

Mas, se viemos ao mundo para amar e estar em conexão, o que nos impede?

Vou-vos contar uma história:

Imaginem que cada um de nós nasceu para ser rei/rainha. O nosso trono está no CORAÇÃO, onde está guardada a nossa sexualidade. A MENTE é o servo responsável por guardar a porta do coração.

Eis que o servo (Mente), numa tentativa de proteger o coração, por ter medo das histórias e mitos que ouviu, pelas crenças limitativas que desenvolveu, até por experiências vividas; fecha a porta do coração para este não sofrer. Deixando a sexualidade lá fechada, como que adormecida!

 

Viver uma sexualidade saudável, em profunda intimidade, com Amor – é uma das dimensões que mais contribui para a nossa qualidade de vida, para uma realização plena, para vivenciarmos o “Melhor de Nós”!

 

Mas a culpa associada aos tabus da sexualidade, o medo de ser rejeitado/abandonado/magoado, a vergonha/insegurança fruto de uma baixa auto-estima; bem como o ritmo acelerado do nosso dia-a-dia; são sentidos pela mente como ameaças ao nosso bem-estar. Ativando os padrões de respostas face ao perigo (fugir, lutar, congelar, desfalecer), originando bloqueios que limitam a forma de experienciarmos a sexualidade!

E, acabamos por fazer amor como fazemos tudo o resto: a correr, sem desfrutar! O que leva a uma sexualidade vivenciada como se viajássemos em turística, quando podíamos viajar em executiva!

Uma viagem na qual nem sempre “estamos lá a 100%”, já que a nossa mente vai dando umas escapadelas: relembrando histórias de vergonha e medo, fazendo julgamentos sobre o corpo, ou até mesmo, relembrando preocupações do dia-a-dia (ex.: “ to do list”).

 

Uma atitude mindful é fundamental para uma sexualidade saudável, isto é, estar verdadeiramente “presente”, com intenção, com curiosidade, sem julgamentos.

 

Conectados connosco ao nível do corpo/coração e mente para que a energia possa fluir. Para vivenciarmos uma intimidade profunda há que ter coragem de nos permitirmos estar vulneráveis, saber os nossos limites e comunica-los, deixarmo-nos ser vistos como somos, praticar a auto-compaixão, aceitando as nossas imperfeições como perfeitas; amar-nos, estimar-nos – ter uma auto-estima saudável.

Só quando damos a conhecer a nossa essência, podemos amar e sermos amados em profundidade, e não apenas ao nível racional (superficial).

 

De realçar que, em estudos, o sexo descomprometido com vários parceiros parece não produzir os mesmos efeitos benéficos para a saúde; na verdade, pode mesmo levar a um envelhecimento precoce, uma vez que é passível de provocar tensão e preocupações!

Num nível superficial corre-se o risco da sexualidade ser vivenciada de modo distorcido, não saudável. Podendo até tornar-se num vício para pessoas com feridas profundas, com baixa auto-estima, desconectadas, podem encontrar no prazer do ato sexual uma forma de se manterem entorpecidas e assim não terem de se confrontar com as dores que as atormentam.

Como em qualquer vício, com o tempo, diminui a obtenção de prazer, pelo que entram numa compulsão, neste caso, em ter dificuldade em controlar o impulso de satisfazer fantasias. Não se conseguem concentrar em outra coisa que não seja a realização das suas fantasias sexuais, afetando sua produtividade no trabalho, nas relações sociais e afetivas.

 

O nosso corpo é sagrado, é lindo tal como é (em todas as fases da vida).

 

É merecedor de cuidados, para além dos mais superficiais ao nível estético, deve ser bem nutrido, exercitado, estimado. Quando falamos de sexualidade saudável falamos de intimidade profunda com alguém que honre esta cumplicidade, zelando pelo nosso bem-estar.

 

O corpo de homens e mulheres tem uma energia natural orgásmica que, quando é vivida na sua plenitude, tem inúmeros benefícios para a saúde física, psicológica/emocional.

 

O neuropsicólogo Davis Weeks, do Royal Edinburgh Hospital, na Escócia, alerta-nos para os seus inúmeros benefícios, principalmente com o avançar da idade, de uma vida sexual saudável ativa, já que reduz o risco de morte prematura e melhora a qualidade de vida.

A sexualidade estimula a produção de hormonas saudáveis, como serotonina, dopamina e oxitocina – hormona do amor e da conexão. Ajuda a criar neuroplasticidade, (i.e. a capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se) ajuda-nos a encarar novas experiências, ao substituir o medo por prazer; para além de evitar a demência.

A libertação de endorfinas, hormonas que nos dão a sensação de prazer, agem como um analgésico e ansiolítico natural, ajudam a relaxar e a descansar melhor – proporcionando o fortalecimento do sistema imunitário. Aumenta a qualidade da circulação sanguínea, levando mais oxigénio aos órgãos, facilitando a eliminação de substâncias nocivas ao organismo (como as que provocam cansaço ou o aparecimento de doenças).

Proporciona exercício aos músculos, ao coração e pulmões, queima calorias e diminui os níveis de colesterol. As contrações musculares que se verificam durante o orgasmo elastificam os músculos urogenitais de mulheres e homens – importantes para uma próstata saudável e evita problemas de incontinência, numa fase posterior da vida. O sexo estimula ainda a segregação de estrogénios, a chamada “hormona feminina” com efeito positivo sobre o aspeto da pele e do cabelo.

Se, até do lado da ciência, a mensagem é “fazer amor é bom para a saúde!”, o que nos falta?

 

É preciso coragem!

 

Pedir autorização à nossa mente para “abrir a porta do coração”, ter a ousadia de estarmos vulneráveis, pois, só assim conseguimos vivenciar verdadeira intimidade, livres do medo de abandono ou rejeição.

Vamos acordar os nossos 5 sentidos e desfrutar do nosso poder enquanto seres humanos!

 

É altura de libertar a sexualidade de modelos desatualizados:

quer dos demónios passados que levaram meninas, raparigas e mulheres a acreditar que tinham de tapar a pele, como se o facto de a expor fosse um convite para os homens “pecarem”; como dos modelos que incitam a exposição desmedida, com base num ideal de beleza inalcançável, com o objetivo de se tornarem mais desejáveis e assim, supostamente, mais dignas de ser respeitadas e amadas!

 

É tempo de mudarmos, por nós e pelas gerações mais novas. Afinal, que histórias lhes andamos a contar sobre os seus corpos, a intimidade, a sexualidade, o amor?  

Estamos a passar-lhes um modelo de “empowerment” da sexualidade, que traga para a luz esta dimensão tão importante para a qualidade das suas vidas, para que a vivenciem a um nível superior?

 

É tempo de mudar a história, ter coragem para abrir a porta do coração e dar-lhe um final feliz!

 

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