Com o aproximar das férias a criança dentro de nós começa a saltitar, aparecem umas borboletas no estomago, uns suspiros inesperados. A nossa mente tende a vaguear por inspiradoras memórias de bem-estar e acabamos rendidos às expectativas.

Mas, ir de férias depois de sermos pais tem nuances diferentes, das férias gozadas antes de sermos pais!

E não me refiro só à bagagem! A inspiração é a mesma: desfrutar ao máximo! O ritmo é que muda completamente.

Agenda das crianças é diferente da agenda dos adultos, há que gerir as nossas expectativas!

A agenda dos adultos é muito ambiciosa tendo em conta a capacidade do próprio organismo, da maturidade da criança para lidar com tantas novidades.

O que para nós significa entusiasmo pelas nossas memórias de experiências passadas, para as crianças significa um esforço extra para processar e assimilar tamanha quantidade e qualidade de informação nova.

 Ex.: o pequeno-almoço dos hotéis para os adultos que gostam de saborear, significa uma degustação dos deuses, capaz de nos fazer saltar da cama cheios de entusiasmo. Já para as crianças, significa quebrar todas as suas rotinas, vestir e sair minimamente apresentável antes de se terem alimentado. Quando chegam à sala do pequeno-almoço confrontam-se com inúmeras pessoas novas e são inundadas com milhentas possibilidades. Na melhor das hipóteses é-lhes dada a escolher como se querem alimentar. Na pior das possibilidades ficam restringidos ao que podem comer, enquanto os seus sentidos experienciam uma overdose de cheiros, cores, texturas diferentes e apelativas, ansiando pela experimentação do seu paladar.

É claro que esta situação muda de família para família. Este fim-de-semana, foi a primeira vez em que não levei o pequeno-almoço que costumam tomar, como não gostaram de praticamente nada, acabaram por comer muito pouco!

 Um mundo de novidades nem sempre é entusiasmente para as crianças, pelo contrário, pode ser desgastante!

É compreensível que estes seres magníficos que ainda estão a aprender a lidar com as emoções, entrem rapidamente em colapso sensorial com tantas informações sensoriais novas (ver http://bestofme.pt/2016/11/01/birra-colapso-sensorial/ ). Obviamente que varia consoante a maturidade da criança, do tipo de personalidade predominante (energia) e do seu estado de humor.

Lembremo-nos que manter as rotinas, que é um aspeto fundamental para lhes passar conforto e segurança, nem sempre é possível nas férias.

Ex.: Quando dormem numa cama e num quarto que não o delas, é normal que estranhem as primeiras noites. Afinal, ainda não tiveram possibilidade de os assimilar como sendo o seu porto seguro, como o seu lar!

Precisam da nossa Abertura, Paciência, Não julgamento, Confiança, Não-esforço, Aceitação, Deixar Ir (a expectativa da agenda de férias) e da nossa Generosidade.

Que tenhamos consciência das suas necessidades e das limitações face à sua maturidade!

As férias significam um reset, um começar sem bagagem (do passado) – Mente de Principiante. De estar com eles de coração aberto, apoiá-los, respeitando os seus tempos, os seus receios, ajudando-os a ultrapassá-los com compaixão, com empatia!

Férias com Mindfulness&Heartfulness para que pais&filhos desfrutem das merecidas férias!

(Créditos: foto de Inês Gaspar)

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As histórias que a tua criança precisa escutar

As histórias têm sido a forma preferencial para passarmos ensinamentos entre gerações, entre culturas.

É inevitável, são bem recebidas, ficam no ouvido e bem presentes na nossa vida!

Quando escutas uma história, uma metáfora, trata-se de outras personagens que não tu, este distanciamento transmite-te segurança suficiente para baixares as tuas defesas e deixar entrar no teu subconsciente o ensinamento implícito!

Se queres passar algum ensinamento ao teu filho, 1º põe em prática, sê o modelo! 2º Conta-lhe em versão de história! Não é por acaso que as crianças gostam tanto de estar com os avós sempre recheados de boas histórias, como as aventuras dos pais quando eram pequenos! Tudo pode ser transformado em história!

Sempre que é contada uma história é estabelecida uma ligação entre neurónios, fica guardada no nosso cérebro e passa a fazer parte das memórias a que recorremos quando estamos perante um desafio. São mesmo importantes porque são a fundação das nossas crenças! E estas condicionam o que fazemos, como fazemos, o que pensamos …

Então, que histórias andamos nós a contar-lhes?

Que as mulheres precisam de ser salvas pelos homens?!?!?!

Que os super-heróis nascem com poderes especiais que não precisam de ser aprendidos e treinados?!?!?!

Não me parecem que sejam histórias que os preparem para criarem diariamente uma vida memorável!

A minha família é benfiquista, este ano foram muitos os títulos ganhos. Se juntarmos o facto de ainda termos na memória que somos os campeões Europeus de Futebol, percebo porque os gurus cá de casa fazem do Sr. Batata a taça da vitória que tantas vezes levantam, nas suas brincadeiras, com esforço (pelo peso) proporcional ao que ela significa!

Sim, é possível vencermos!

E para lá chegarmos existe um caminho de aprendizagem com os erros, humildade, resistência à frustração, muita disciplina, praticar até sermos os melhores no que fazemos, até conseguirmos alcançar o nosso objetivo. Mas, primeiro é preciso sonhar! Sonhar com a tua missão: o que queres deixar às próximas gerações, o contributo que ofereces ao Universo que te acolhe!  Com coragem, suor e ousadia!

Estamos a contar-lhes as histórias de que todos nós nascemos com as sementes que podem florescer em super poderes, se colocarmos em prática estes ingredientes, diariamente na nossa vida?

A partilhar histórias em que só existem super-heróis com dedicação, coragem e que entram em ação? Sim, super-heróis que não são perfeitos, que vão errar e aprender com isso, que cuidam de si, estimam-se e que também respeitam os outros? Que qualquer pessoa, em qualquer idade, género, ou etnia pode ser um super-herói?

Descendemos de um povo, curioso que ousou e descobriu!

Criamos histórias diariamente, umas vezes com vitórias, outras com desfechos trágicos… em todas elas aprendemos algo importante!

Nestes dias de luto pela tragédia do fogo que fez vítimas mortais, mais do que alguma vez poderíamos imaginar, quando uma vida já é demais, vemos o exemplo de guerreiros como os Bombeiros (que em outros países são considerados heróis nacionais) a darem tudo o que têm para oferecer, o seu suor e lágrimas para evitar mais catástrofes.

Quando contares uma história à tua criança questiona:

“Que ensinamento lhe estou a passar? É construtivo ou limitador?”

(Foto tirada no Feijão Verde Fun Park Sintra)

 

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DISCIPLINAR é:

#EDUCAR & ENSINAR, ajudar a criança a canalizar a energia para formas mais adequadas de agir.

#Estabelecer LIMITES – estruturar a vida que é fundamental para a Saúde &Bem-estar da criança.

#UmaPRENDA que oferecemos à criança, pois facilita um desenvolvimento harmonioso e passa o Amor e respeito que sentimos por ela.

#Uma Ferramenta que deve ser HONRADA, sendo posta em prática quando estamos em condições (e não quando estamos zangados, pois iria servir apenas para aliviar a nossa pressão); utilizando uma linguagem respeitadora (as palavras que usamos vão acompanhá-los como sombras durante muitos anos).

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