“Quero-te a ti Mamã!!!”

O meu coração fica apertado!

É a frase que me faz parar! Sim, é a âncora que a minha filha lança para me alcançar quando estou longe (estando perto)!

Felizmente já aprendi a não ter medo de sentir culpa, assim como a deixá-la ir…

Fico a olhar para os seus enormes, deliciosos e meigos olhos pretos!

“Desculpa!” digo-lhe enquanto me consolo no seu abraço!

Antes deste momento tinham vindo outros momentos de birra de ambas as partes, intervalados com momentos mágicos (como chamo aos momentos em que consigo pôr em pratica as intenções Mindfulness).

Foi nos momentos em que fiquei agarrada a pensamentos e julgamentos que deixei de estar conectada com este Ser: frases como “ela tem de aprender! Não pode ser sempre como ela quer! Se tivesse de cumprir horários, não podia ficar aqui à espera que se decida vestir!”

Julgamentos, mitos e crenças limitadoras da nossa cultura têm mantido as necessidades de afeto e conexão na sombra. Libertemo-nos para conseguir sentir, ver, escutar, perceber, de coração aberto, o que as “nossas” crianças precisam!

 

A  sua resistência/oposição é proporcional à falta de conexão!

As crianças precisam de conexão, ou a têm a bem, ou exigem-na a “mal” (com comportamentos de oposição e resistência) … já interiorizei esta aprendizagem há alguns anos, mas parece que precisou de ser recordada!

E, está tudo bem!

Hoje o atraso foi mesmo grande, às 9h30 ainda estava decidida a fazer um puzzle comigo de pijama. Todas as outras estratégias não estavam a ser eficazes! Nem a bem, nem a “menos bem”, nada estava a resultar!

Fui 2 vezes para a cozinha acalmar-me, acabei por pedir ajuda ao mano, quando regressei estava sentada no chão, mas já com as calças vestidas. Perguntei-lhe se queria ajuda, respondeu que sim. Disse-lhe que estava muito triste por nos termos desentendido e por ela não ter respeitado o que lhe estava a pedir.

Disse-me: “Sabes, ontem a tisteza estava a chorar…” deu-me as mãos e começou a respirar (cheirar a flor e soprar a vela)

Sabes tão bem o que sinto e do que preciso, afinal és a minha guru!

Foi então que tomei consciência como tinha sido o seu dia anterior: tinha passado mais tempo na escola, o pai esteve fora e eu estava comprometida a cumprir a minha agenda (e consegui às 2h da madrugada! Flexibilidade de trabalhar em casa: deitar às 2h ou às 4h e acordar no máx. às 8h). Os seus apelos foram sendo geridos com alguma artimanha, mas esta guru não se deixa ludibriar! Confesso que gosto que assim seja!

Seguimos as nossas rotinas, com calma, com muito afeto e presença!

Quando chegou à escola ia a cantar e dançar … Estávamos as duas bem nutridas!

É curioso, estamos habituados a ligar eletrodomésticos à corrente, a carregar a bateria dos telemóveis, a abastecer os veículos e o nosso lado emocional como é preenchido, abastecido ou recarregado?

O lado funcional da parentalidade foca-se na sobrevivência: dar comida, dormir, fazer a higiene e até, dar-lhes brinquedos para se “entreterem”!

Faz-me lembrar esta história que conto nas sessões de massagem infantil, enquanto instrutora:

Há alguns anos atrás, num orfanato que permanecia limpo e alimentavam os bebés, constataram que estes continuavam a ficar muito doentes. Até que se aperceberem que estes bebés eram deixados nos berços até para beber o leite, raramente eram pegados ao colo, não tinham experiências de toque pele com pele.

Os seres humanos precisam de ser nutridos com afeto tal como precisam de alimento. A ausência de contacto humano deixa mais fragilizado o sistema imunitário, tornando-nos mais propensos a adoecer!

 

Educar e cuidar de crianças para que vivam uma vida plena implica ter consciência, reconhecer e satisfazer (assim que possível) as suas necessidades de conexão!

 

 E os nossos níveis de nutrição emocional como estão?

battery-1688883

SUBSCREVAM AGORA